




O nome de Mário Frias, deputado federal pelo PL de São Paulo, ex-ator e ex-secretário especial da Cultura do governo Bolsonaro, amanheceu nesta quinta-feira no radar da Polícia Federal. Frias foi alvo da Operação Make Up, autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que investiga suspeitas envolvendo emendas parlamentares e a produção do filme “Dark Horse”, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Mas a notícia ganha um tempero especial por estas bandas. Mário Frias tem uma ligação bastante conhecida com o Sul catarinense: é casado com Juliana Camatti Frias, natural de Siderópolis, e durante o período em que esteve à frente da Secretaria de Cultura chegou a circular com frequência pela região. A ligação com Criciúma também rendeu ao ator o título de Cidadão Honorário do município.
Na operação desta quinta-feira, a PF cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Frias está entre os principais alvos da investigação, ao lado da empresária Karina Gama, responsável pela produtora Go Up Entertainment, ligada ao filme.
Frias é produtor-executivo e roteirista de “Dark Horse” e, como deputado, destinou emendas parlamentares a uma organização ligada à produção. Segundo as investigações, uma das emendas, de R$ 1 milhão, teria sido destinada a um projeto de empreendedorismo que não teria saído do papel. A PF apura se recursos públicos acabaram sendo desviados para estruturas relacionadas ao longa.
A investigação é ampla e apura suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios. A PF aponta movimentações financeiras de centenas de milhões de reais entre empresas e entidades que estariam conectadas ao esquema investigado.
E o filme que colocou Frias novamente no centro dos holofotes não é uma produção qualquer. “Dark Horse” pretende contar a trajetória política e pessoal de Jair Bolsonaro e vem sendo cercado de polêmicas desde que começaram a surgir informações sobre sua captação de recursos e os bastidores da produção.
Frias nega irregularidades e sustenta que os recursos utilizados nas emendas foram destinados de forma legal e dentro das regras. A defesa também já afirmou que não houve utilização de dinheiro público na produção do filme.
Por enquanto, a investigação está em andamento e não representa condenação. Mas o episódio certamente coloca novamente o nome do “sideropolitano por casamento” no noticiário nacional — e desta vez, bem longe dos holofotes da televisão.





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