Crise no arroz: setor reclama, mas os magnatas seguem bem

O Governo Federal anunciou no fim de outubro uma nova medida para tentar conter a crise no setor orizícola: a compra de 137 mil toneladas de arroz pela Conab, com limite de 189 toneladas por produtor. A ideia é segurar preços e garantir renda mínima aos produtores. Mas, segundo o Sindicato das Indústrias de Arroz de Santa Catarina (SindArroz-SC), a iniciativa é insuficiente diante da gravidade da situação. O presidente Walmir Rampinelli afirma que a expectativa para 2026 “não é boa” e que muitas indústrias devem parar no fim do ano para dar férias coletivas e conter prejuízos. Hoje, a saca de 50 kg está sendo vendida a R$ 55, bem abaixo do custo de produção, estimado em R$ 75. Desde o início de 2025, o preço despenca, deixando produtores e indústrias com margens cada vez menores. Enquanto o setor pressiona por ajuda pública, vale lembrar que muitos dos chamados magnatas do arroz do sul — empresários e produtores que dominam a cadeia do grão — estão longe de passar aperto. Boa parte deles, hoje, é dona de pelo menos 10% dos imóveis mais valorizados de Criciúma, cidade símbolo da pujança sul catarinense. A crise existe, sim — mas nem todos estão no mesmo barco.

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