Foi em Criciúma que nasceu uma das histórias empresariais mais improváveis — e bem-sucedidas — do país. De um polo marcado pelo carvão e pela cerâmica surgiu a base de um grupo que ousou sair da curva e acabou colocando um de seus herdeiros na lista da Forbes.
Em 1976, a tradicional Cecrisa, liderada por Diomício Freitas e seus filhos, tomou uma decisão que poucos entenderam na época: investir em tecnologia — um setor completamente distante da sua origem.
Nascia ali a Intelbras. Fundada na Grande Florianópolis, mas com DNA criciumense desde o primeiro dia, a empresa começou produzindo centrais telefônicas (PBX) e, já em 1987, saiu na frente ao desenvolver o PABX com tecnologia nacional, batendo de frente com gigantes como Ericsson e Panasonic.
Nos anos 90, com a abertura do mercado e a enxurrada de importados, quase todas as empresas nacionais do setor ficaram pelo caminho. A Intelbras resistiu — e cresceu — muito por manter o controle nas mãos da família que saiu de Criciúma.
Na divisão do grupo, a empresa ficou sob o comando de Dite Freitas, que mais tarde passou o bastão aos filhos. Entre eles, Jorge Savi de Freitas, hoje presente na lista da Forbes.
Uma trajetória que reforça o óbvio que muita gente insiste em subestimar: foi em Criciúma que tudo começou — e dali saiu um dos maiores cases de sucesso empresarial do Brasil.
Fotos: Diomício Freitas, fundador do grupo Cecrisa; Dite Freitas, fundador da Intelbras; e o atual presidente do Conselho da Intelbras, Jorge Savi de Freitas, entre os amigos Ney Lopes e o saudoso Guido Burigo.